Até o momento, 31 gatos foram resgatados com vida

Por Maurício Peixoto e Pedro Zuazo para Jornal O Globo com informações de Redação NaTijuca

Ativistas de dois grupos de protetores de animais, com a ajuda de voluntários das zonas Norte e Oeste da cidade e de Niterói, fazem neste domingo uma força-tarefa para recolher gatos do imóvel que foi demolido na manhã de sábado, no bairro Maracanã, na Zona Norte do Rio. Até o fim da tarde, 21 tinham sido resgatados dos escombros e, após receberem atendimento veterinário, foram levados para um outro imóvel do bairro. Pelo menos um gato foi encontrado morto. O trabalho conta com cerca de 30 pessoas, que chegaram ao local às 7h30m deste domingo.

Segundo a administradora Ana Cláudia Arêas, de 40 anos, do grupo Gatos da São Francisco, o trabalho é realizado mesmo sem a autorização para entrar no imóvel.

— Estamos usando gatoeiras. Ontem, foram resgatados 16 gatos com vida — ressalta Ana Cláudia.

Só estão autorizados a entrar no imóvel para fazer o resgate agentes públicos em serviço e pessoas ligadas à ONG Pata Amiga, de acordo com uma liminar expedida sábado à noite pelo advogado Reynaldo Velloso, presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB-RJ. A liminar também suspendeu por tempo indeterminadoa continuidade de obra.

De acordo com Velloso, os autores da demolição poderão responder pelo crime de maus tratos aos animais com o agravante de morte.

— Me informei de que foram feitos dois registros de ocorrência na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente denunciando maus tratos aos animais neste imóvel. Isso torna a situação ainda mais grave, pois os autores tinham pleno conhecimento de que havia seres vivos dentro da casa e mesmo assim a derrubaram — explica ele

Os gatos recolhidos estão sendo levados para um imóvel do Grupo Bem Animal, na Tijuca. De acordo com a integrante Ivanise Lopes, eles receberão atendimento veterinário e depois serão enviados à lares de animais.

— Já fechamos com oito lares. Quem quiser continuar nos ajudando, basta entrar em contato conosco pelo facebook.

Pessoas de diversos bairros como Realengo, Catete e também de Niterói seguem no local. De acordo com elas, o grupo não tem hora para encerrar o trabalho. Randall Silva, membro da ONG, que está ajudando, diz que há ainda animais vivos no local.

— Agora é um jogo de paciência. Os que estão embaixo dos escombros com certeza estão sem vida. Mas muitos estão em cima de árvores e dos telhados, assustados com tudo isso. Então, estamos tendo que botar armadilhas para pegá-los com calma. Pois se formos correr atrás deles, não iremos conseguir, porque são muito ariscos - diz ele, que comemorou a expedição da liminar — Agora teremos mais tempo.

Moradora de Realengo, Amanda de Oliveira, que doou rações, classifica como covardia a demolição e reclama do abandono dos animais pelo poder público:

— Fiquei sabendo pelo facebook. Então vim aqui fazer minha parte.É inadmissível essa covardia. Nós, seres humanos, estamos abandonados pelo poder público, e o mesmo acontece com os animais.

A polêmica começou na sexta-feira quando moradores do entorno, que costumavam alimentar os gatos, denunciaram a demolição de parte do prédio, com os animais dentro do local. Os responsáveis pela obra então afirmaram que voltariam na segunda, para dar tempo dos animais serem retirados. No entanto, no sábado de manhã, houve a demolição do resto do prédio, o que causou a indignação e a comoção por parte dos ativistas.

Polêmica do Complexo do Maracanã

Outro caso polêmico aconteceu nesta semana na região. Artistas protetores e alguns voluntários de ONGs defensoras de animais denunciaram maus tratos e até a suposta matança de gatos dentro do Maracanã, na Zona Norte do Rio. Segundo relatos, pelo menos três felinos foram encontrados mortos no complexo esportivo desde a última sexta-feira. Em um dos casos, o animal - uma fêmea prenha - estava sem olhos, sem língua, sem diafragma, completamente sem órgãos. Ela foi levada para o Instituto de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, em São Cristóvão, onde foi feita uma necropsia. O laudo exclui a possibilidade de o óbito ter sido causado por outro animal.

Com isso, a atriz Betty Gofman iniciou uma campanha nas redes sociais com a hashtag #sosgatosmaracana. A ação teve adesão dos também atores Evandro Mesquita, Paula Burlamaqui, Heloísa Périssé, Maria Clara Gueiros, Malu Mader, Fabiana Karla e Patricya Travassos.

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